Regresso
Deixo guiar-me pelo sono
que me leva de volta a casa;
Tu talvez estejas a ver televisão
ou lês uma novela
–agora, a primeira Millennium
Paro a meio caminho, reviro
os bolsos, procurando as chaves
–ainda somos tão inocentes–
da nossa felicidade,
evito o tenebroso abismo
por uma passagem elevada que oscila:
os sulcos e as rampas da calçada
que sobe o vale, as gotas
contra o pára-brisas, Bill Evans
–o farol aceso da France Musique–
ao piano, acompanhando-me.
Deito-me na cama, ao teu lado;
Trespasso o silêncio e beijo-te
chego-me a ti –e permaneces imóbil
adormecida com o livro aberto–
quando soçobram os últimos azuis.
A tristeza leva-me ao sono
Pelos versos amargos de Pavese:
Scenderemo nel gorgo muti:
Apago a luz da mesinha;
Entro no estacionamento dos sonhos
Um dia mais se consume.
Orquídea Lima
Es mostren els missatges amb l'etiqueta de comentaris 00 Orquídea Lima. Mostrar tots els missatges
Es mostren els missatges amb l'etiqueta de comentaris 00 Orquídea Lima. Mostrar tots els missatges
dimarts, 20 de març del 2012
Silencis [versió en portuguès]
Silêncios
Vemo-nos no outro, nos silêncios,
e as palavras são vagas imagens,
ecos de sensações intangíveis,
pobres metáforas –como as estrelas
que te nascem nos olhos–, indícios de feitos
que se não podem precisar: subtilezas,
gestos discretos que sabemos de cor,
sintomas de afectos e de agitações
do ânimo, evocações dos dias
mortos e ânsias que se atenuam –advertimos
trocas ao entardecer– quando estamos
a meio caminho das comoções,
de alegrias doces e desencantos
que nos farão mais sofredores e transigentes,
e dos prantos derramados sobre os infortúnios
até que nos reconheçamos nos rostos
imperturbáveis das esculturas
e eu reencontre, por detrás das vidraças,
à contraluz daquele museu edificado
sobre megalitos pré-romanos, o mar,
o esplendor azulíssimo das brisas
de inverno, o sol do meio-dia beijando
a praça e o ar de resignada
tristeza do teu olhar enegrecido
deslizando lentamente pelas montras
observando fivelas, lamparinas, dados…
Reflectidos na frieza dos vidros.
Orquídea Lima
Vemo-nos no outro, nos silêncios,
e as palavras são vagas imagens,
ecos de sensações intangíveis,
pobres metáforas –como as estrelas
que te nascem nos olhos–, indícios de feitos
que se não podem precisar: subtilezas,
gestos discretos que sabemos de cor,
sintomas de afectos e de agitações
do ânimo, evocações dos dias
mortos e ânsias que se atenuam –advertimos
trocas ao entardecer– quando estamos
a meio caminho das comoções,
de alegrias doces e desencantos
que nos farão mais sofredores e transigentes,
e dos prantos derramados sobre os infortúnios
até que nos reconheçamos nos rostos
imperturbáveis das esculturas
e eu reencontre, por detrás das vidraças,
à contraluz daquele museu edificado
sobre megalitos pré-romanos, o mar,
o esplendor azulíssimo das brisas
de inverno, o sol do meio-dia beijando
a praça e o ar de resignada
tristeza do teu olhar enegrecido
deslizando lentamente pelas montras
observando fivelas, lamparinas, dados…
Reflectidos na frieza dos vidros.
Orquídea Lima
Subscriure's a:
Missatges (Atom)